Midnight Sun
Zara Larsson, 2025
Zara Larsson na capa do seu álbum "Midnight Sun"
sabe aquele tipo de pessoa que se acha cult e critica tudo que é popular? a Zara não dá a mínima. ela é POP e não tem problema com isso, ela admite o que muita gente não tem coragem de admitir e consegue ser complexa mesmo abraçando o mainstream. a diva aproveitou o hype de “Symphony”, música de 2017 em parceria com o grupo Clean Bandit que viralizou por causa de um meme, e utilizou a estética desse mesmo meme no álbum – golfinhos, verão 2000, cores saturadas etc. no atual contexto de sociedade “performática”, fico feliz com artistas que se importam com o valor do que é popular e que não há superficialidade quando se faz bem feito. as referências da mulher, gente: beyoncé e rihanna!!! e pasmem, tem muita influência do funk. quem disse que loiras gostosas são básicas? ela pode até ser mas sabe disso!!!
brincadeiras à parte, lembro de uma aula que tive sobre "sociedade do espetáculo" com um professor que... é... era, de certa forma, um pouco do que ele criticava. a tendência em discutir perfomance me parece ricochoteante, afinal, se eu performo algo é preocupado com o que vão pensar de mim, é sobre a imagem que quero passar. por outro lado, se eu critico o performar, pode parecer que me coloco numa posição alheia, dissociável, como se não performasse e, bem, isso também é performar. talvez seja, inclusive, até mais performático. eu tenho minhas questões com redes sociais, autoimagem, validação, enfim, tópicos comuns à era digital – e comuns também antes desta, provavelmente só não com a mesma intensidade –, mas não quero aparentar pedância quando discuto elas. voltas e mais voltas. por essa razão, essa foi uma das obras selecionadas! a Zara afirma que quer ser popular, na medida em que ela também reconhece que isso pode ter um motivo mais profundo e pessoal. ela aborda sobre festas, entorpecimento, desejo, como qualquer outra música pop dançante, todavia, com identidade e senso (menção honrosa: brat). é um álbum confiante! confiante em ser somente o que se é e tudo o mais que isso implica, além da inevitável dúvida.
observações: o título do álbum significa “sol da meia noite” e faz referência a um fenômeno natural que acontece no verão da suécia, terra natal da artista, em que o sol fica visível por 24h. o “pusspuss” que ela repete tanto por entre as faixas é porque “puss” é beijo em sueco. amo como a zara canta sobre experiências quase universais, mas que muita gente não comenta sobre por medo de ser julgado. letras simples e batidas bem pop farofa, ela deixa uma pulguinha atrás da orelha que te faz refletir acerca de alguns pontos. minhas favoritas são quase o álbum todo, não fosse as que escuto menos e costumo pular: “pretty ugly” e “pusspuss”.