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Kame Wa Igai To Hayaku Oyogu (2005)

pôster disponível no IMDb para o filme 'kame wa igai to hayaku oyogu'

Suzume (Juri Ueno) em pôster de "Kame Wa Igai To Hayaku Oyogu"

um dos temas recorrentes na grade de programação da minha cachola é a mediocridade. ser básico, sem graça, mediano, ordinário, entre outros sinônimos, é uma insegurança comum, ironicamente. quando nos reconhecemos artistas então, pior.

"Kame Wa Igai To Hayaku Oyogu" (2005) acompanha suzume, uma jovem dona de casa cuja única excentricidade é cuidar da tartaruga de estimação do seu marido que viajou a trabalho. ela vive seus dias monotonamente, reclamando aos ventos sobre sua vida sem graça e constantemente se comparando à melhor amiga, kujaku, que é cool, desapegada e autêntica. para quem assistiu "Perfect Days" (2023), um dos meus favoritos, suzume contrasta a personalidade de hirayama: enquanto ele é observador e não tem problema em passar despercebido, suzume quer ser vista e validada.

tudo muda quando suzume, por acaso, encontra um cartaz anunciando o contrato de espiões. diga-se de passagem que em muitas situações suzume se coloca em risco, talvez em busca de alguma novidade na rotina, e por isso mesmo, já é de se imaginar que ela liga para o número exposto no cartaz e vai ao encontro dos anunciantes. ela se depara com um casal peculiar que, para sua surpresa, a contrata de cara. suzume é tão comum ao ponto de ser um disfarce perfeito! ela ganha uma bolada de dinheiro e fica em stand by até ser chamada para alguma missão.

os dias seguem como de costume, mas agora eles guardam um segredo, a adrenalina latente de ser uma espiã na espera de uma missão. assim, suzume passa os dias mais disposta, instigada, eufórica, além de separar algumas poucas horas do dia para ser treinada por outros espiões caso algo aconteça.

gosto como o filme toca no assunto da inveja, mas não aquela inveja destrutiva de desejar o mal a alguém, até porque suzume tem muito carinho por kujaku e vice-versa. é uma inveja natural a qualquer um, aquela em que nos sentimos inferiores a alguém e desejamos mostrar que somos capazes de mais. quando ela se torna espiã, também ganha pontos de autoestima e isso se torna perceptível aos outros. em algum momento, suzume até tenta se encaixar mais no estereótipo de espiã misteriosa – e é repreendida por isso. tudo agora é feito com intenção e isso a sobrecarrega de preocupações, mas basta ser ela mesma e as coisas vão se desencandeando da melhor forma. deu pra entender a pegada da narrativa, né?

amo demais os diálogos avulsos do filme e enquanto assistia me perguntava se esse detalhe é algo comum na cultura japonesa, tamanhas conversas inusitadas. os personagens escutam ativamente uns aos outros, fazem perguntas curiosas que revelam muitas sobre suas personalidades, tanto de quem pergunta quanto de quem responde. nisso, surgem muitas falas interessantissimas. o final seguiu por um caminho que não esperava e isso animou ainda mais meus pensamentos em relação ao filme. também gostei muito da direção de arte, da montagem, das cenas cômicas e bobocas – que até podem ser "nada demais", algo não tão diferente do padrão em obras de comédia japonesas, não sei dizer, mas fazem jus à temática e à atmosfera do filme. a mediocridade é extraordinária!

frames de um diálogo em 'kame wa igai to hayaku oyogu'

se eu me desdobrar quanto às minhas reflexões sobre o que é ser artista, o que esperam que um artista pareça, performance, mediocridade e autenticidade – se é que existe autenticidade como imaginamos, visto que quem performa pode ser tão "básico" quanto o próprio "básico", só que um não faz muita questão de aparências do que o outro – esse texto vai... olha aí, já me estendi! só quero dizer que todos perfomamos, em um certo nível, o importante é sermos sinceros conosco e não perder de vista quem somos!!!

enfim, vamos deixar isso pra algum outro dia no blog... qüeqüehehe

02 abr, 2026


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